LIÇÕES DE UMA COPA DO MUNDO

Enviado por Luiz Carlos Costa: O artigo foi escrito pelo Fernando Antonio Gonçalves, amigo no face, e pela clareza das ideias me permiti republicar aqui.

Resultado de imagem para time da croácia 2018Domingo, a Copa do Mundo 2018 será encerrada. E saberemos quem será o novo Campeão do Mundo. Torcerei pela Croácia. Seja qual for o resultado, a Croácia nos legou lições memoráveis: de valentia, de planejamento solidário, de desindividualismo, de não-hipocrisia e desfingimentos, de gestos nunca debochados. Todos deveremos extrair inúmeras lições dos croatas: técnicos, preparadores, jogadores, jornalistas, radialistas orgásmicos, transmissões ufanosas, torcedores alienados e estatisquismos cretinos, onde só se faltou mensurar a quantidade de tintura alourativa colocada nos cabelos de uns, os litros urinados por outros, as quedas em campo dos doloristas artistas e as entrevistas ufanosas dos que não conseguem perceber que o mundo futebolístico evoluiu, a era das escolhas fingidas se tornando coisas passadas, típicas dos conchavos entre dirigentes. E que o pior subdesenvolvimento é o mental. E, principalmente, que o futebol é uma prática eminentemente coletiva, tal e qual um batalhão de combatentes capacitados que são orientados por capitães por partida, escolhido pela demagogia cardiológica de quem não soube determinar com serenidade as ações táticas, não sabendo bem diferenciar o joio do trigo, liderança de faniquitismo. PS. E sempre aplaudindo o jornalista Ribas Neto, notável inteligência analítica.

EU TAMBÉM QUERO

Resultado de imagem para Presidente da Croácia no vestiário

A presidente da Croácia foi convidada pelo governo russo para assistir ao jogo contra a Inglaterra. Por questões políticas, e assim como as autoridades inglesas, ela recusou o convite e todo aquele aparato e mordomias peculiares às visitas de autoridades a outros países. Mas foi ao jogo em avião de carreira que pagou do próprio bolso, mandou que se descontasse do seu salário os dias em que faltaria ao trabalho e após o jogo foi ao vestiário abraçar os jogadores sem nenhum segurança. Eu também quero um governo assim.

OS COBRAS E AS VACAS

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Assistindo ao jogo da Croácia, de ontem, descobri uma similitude entre o ex-técnico da Friboi, Joesley Batista e o atual técnico da Croácia Zlatko Dalić. São bem parecidos. A diferença, hoje, é que enquanto o croata está em carreira ascendente, administrando os cobras do futebol, o outro, em carreira descendente, vê a sua vaca indo para o brejo.

FALTA DA VÍRGULA MATA BEBÊ

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Enviado por Luiz Carlos Costa

Este Blogonoff ficou um tempinho fora do ar e vieram as reclamações. Melhor assim. Primeiro foi a ansiedade pelo Brasil na copa. Depois a tristeza – mas não a decepção como há 4 anos – pela derrota. Aí o laptop deu pau, os filhos menores vieram passar as férias, o trabalho aumentou, mas quem escreve diariamente sente falta quando não escreve. E aqui estamos nós, de volta, falando sobre o que estiver na ordem do dia, buscando a comunicação como foco deste “blog”, “on ou off” sempre que for possível, abordando o social, o esporte, a política, a economia e o que mais houver. O comentário de hoje é sobre a importância da vírgula na morte do bebê Henzo Matheus Pinto Elias. Ele chegou ao hospital de Santo Antônio do Içá, no Amazonas, com quadro de febre e vômito e morreu na tarde de domingo, após passar seis dias internado. Henzo foi atendido pelo médico da unidade e na receita assinada por ele, é recomendado o uso de dipirona e 25 miligramas de prometazina – medicamento usado para combater reações alérgicas. Depois que a medicação foi aplicada, o quadro clínico do bebê piorou e ele veio a óbito. O pai conta que foi chamado pelo médico, que corrigiu a receita de 25 miligramas para 2,5 miligramas do medicamento, uma dose 10 vezes menor. Faltou a vírgula, que matou o menino. Agora os médicos, além de melhorar a letra com que fazem suas receitas (os mais modernos já o fazem pela computador, terão que prestar mais atenção à virgula que pode matar.

 

O RETRATO DO BRASIL

Capa do Le Monde

O jornal francês “Le Monde” faz um retrato do Brasil, na capa de sua edição, mostrando nossas mazelas mesmo com o sucesso da nossa seleção. Quando um dos maiores jornais da Europa entende o Brasil desta forma, criticando a justiça brasileira através dos ministros do STF enquanto o povo veste camisa de futebol, é porque passou da hora de nós, brasileiros, darmos um jeito nessa situação. E as eleições estão aí para nos ajudar.

BELA CAPELA

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Os torcedores brasileiros que ao invés de fazer arruaça pelas ruas e cantar músicas com letras inconvenientes, aqueles que foram à Rússia torcer pelo Brasil, estão deixando, novamente, uma bela marca nos estádios, antes das partidas da nossa seleção. Ao final do Hino Nacional resumido, tocado nos alto falantes do estádio, a torcida complementa com uma capela emocionante. E notem que os organizadores aguardam que se termine o coro da torcida para só então começar o hino do país adversário. Atitudes como estas enaltecem a imagem do brasileiro, mesmo contrastando com a péssima imagem política do país. Nos estádios da Rússia está uma parte das classes sociais mais abonadas, que são também formadores de opinião e cujos gestos merecem credibilidade.

VERDE QUE TE QUERO VERDE

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Posso estar enganado ou meus olhos estão sendo traídos pela idade, mas acho que no nosso jogo contra o México, aquela bonita bandeira do Brasil que entra em campo antes da partida, estava com a cor verde meio aguada. Se não for um problema visual, imagino um recado que queriam dar para a gente cuidar melhor das nossas florestas (se fosse pelo desmatamento o verde seria trocado pelo marrom), ou simplesmente um erro no “pantone”.

A CÓPULA DO MUNDO

Resultado de imagem para cópula do mundo

No grande evento da Rússia, nem tudo são flores. Além do mau comportamento de alguns brasileiros, mostrado intensamente pelas redes sociais e a ideia fixa de alguns estrangeiros em querer beijar nossas repórteres, tem ainda o problema causado pela grande novidade tecnológica, o árbitro de vídeo que, apesar de sua eficiência, está copulando a participação de algumas seleções. A reclamação do Brasil e da Sérvia contra a Suíça, a da Suécia contra a Alemanha e outras mais, não foram atendidas pelo árbitro de campo. A FIFA precisa resolver o problema para que a nova tecnologia não perca credibilidade, acabando com o sonho de alguns países de levar a taça para casa e para que a Copa do Mundo não vire a Cópula do Mundo.

A BACANAL

Nenhum texto alternativo automático disponível.

A BACANAL EXPLICA

Copiado do face do Paulo Sales

Na Roma antiga, para se comemorar o início da colheita das uvas, fazia-se uma grande festa que inicialmente contava exclusivamente com as presenças das mulheres. Com o passar dos anos, esta “ Bacchanlibus” — uma homenagem a Baco, o Deus do vinho — foi criando proporções cada vez maiores e se abrindo também aos homens. O que deveria ser uma celebração quase que religiosa, foi se transformando em uma festa de orgias, com cenas vulgares e grotescas, onde todo tipo de mal comportamento era tolerado e muitas vezes incentivado. A degradação chegou a tal dimensão, que o Senado em 186 AC. terminou promulgando a sua proibição — Senatus Consultun de Bacchanalibus (Decreto senatorial sobre as bacanais).

— O que as bacanais romanas têm a ver com o Brasil de hoje?

As nababescas bacanais que começaram aqui no Brasil faz não menos de 20 anos, foram tomando proporções cada vez mais gigantescas. O Mensalinho e o Mensalão até que tentaram descortiná-las, mas as farras que aconteciam às escondidas, muitas delas nos salões da Petrobrás, só vieram a ser descortinadas a partir da Lava Jato. Só é possível explicar o que está acontecendo com a sociedade e com o comportamento de tantos homens públicos, se levarmos em consideração que foram poucos os que conseguiram passar completamente ao largo desta grande e longa bacanal brasileira. Quando a máscara de qualquer um dos frequentadores cai, os demais coleguinhas se apressam em tentar protegê-lo, como falou Nietzche: “nada mais humano, demasiadamente humano”. A nossa esperança é que a Lava Jato termine sendo a nossa equivalente ao “Senatus Consultum de Bacchanalibus” e termine também, com a sua placa de bronze exposta em algum grande museu, no Brasil ou no exterior, como símbolo de combate à corrupção.

Paulo Sales

Imagem: Senatus Consultum Bacchanalibus
Gravada em bronze no Museu de História de Arte de Viena.