VIVE LE FRANCE

bastilhaHoje é dia de lembrar a França, mas sem esquecer o Brasil. Não lembrar os atentados terroristas de lá que teimam em amputar algumas de suas riquezas culturais ou nos intimidam a não as visitar. Ou não lembrar os black blocs de cá que teimam em bagunçar as manifestações tão justas. Não lembrar o novo governo de lá, mesmo que prometendo ser inovador e gerador de riquezas ou o governo de cá que teima em manter rituais arcaicos que tanto prejudicam nosso pobre país.

Hoje é dia de lembrar que a Queda da Bastilha foi consequência de um Estado injusto, como o nosso, que isentava o clero e a nobreza do pagamento de impostos para cobrá-lo do povo, coitado, que mesmo representando 98% da população, era o único que pagava impostos, como acontece entre nós.  Hoje é dia de lembrar que um ano antes do 14 de julho de 1789, uma grande seca elevou o preço dos alimentos por lá e gerou uma fome em larga escala. No desespero, e sem ter o Bolsa Família, o Rei Luís XVI resolveu, provavelmente na calada da noite, reunir seu órgão consultivo – que não se reunia há mais de 150 anos – composto por membros do clero, da nobreza e do povo para discutir a difícil situação, igualzinho ao nosso Congresso Nacional, onde estão muitos nobres e pouco povo.

Para encurtar a história, o rei proclamou a Assembleia Nacional Constituinte, mas secretamente, convocou o exército para dissolvê-la, assim como acontece aqui onde o exército é representado pela Câmara dos Deputados que dissolve tudo que não interessa ao nosso rei. A notícia se espalhou rapidamente pela cidade de Paris, mesmo sem ter por lá a Folha de São Paulo, TV Globo ou Revista Época, causando a revolta da maioria da população. Por lá, nas primeiras horas deste dia 14 de julho, uma multidão invadiu os arsenais do governo e pegou mais de 30.000 mosquetes indo em direção à antiga fortaleza da Bastilha que funcionava apenas como depósito de armas e guardava uns poucos inimigos do rei, assim como os nossos presídios funcionam como depósito de armas de bandidos.

E veio a Revolução Francesa, que é hoje lembrada por lá, enquanto nós, por aqui, continuamos a esperar por dias melhores sem sequer poder tomar um bom vinho francês e comemorar com nos amis français a sua importante data. Mas na expectativa, quem sabe, de podermos comemorar nosso 7 de setembro de uma maneira mais otimista.

 Zé de Brasília.

 

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