PERDI NO PÔQUER

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Sou totalmente avesso aos grupos machistas ou feministas, tanto que meu nicho social, aqui em Brasilia, é formado por casais alegres e felizes sendo, eu, o único solteiro, pelo menos por enquanto. Mas tem programas onde a separação entre os sexos é mais que necessária. É imprescindível. Para um bom jogo de pôquer, por exemplo, nada como juntar apenas os homens, na certeza da compreensão das esposas.  Essa é uma das razões pelas quais as rodadas de pôquer são geralmente na minha casa, já que moro só. Dia desses resolvemos montar uma mesa de pôquer, mas o Gustavo insistiu que fôssemos todos para a casa dele, porque sua esposa, Renata, uma simpatia de pessoa, gostaria de receber as outras esposas com um jantar, uma mesa de biriba e um bate papo feminino, mas não feminista, o que não atrapalharia, com certeza, a nossa concentração no pôquer. Cheguei na casa do Gustavo lá pelas 20 h encontrando ali os casais Claudia e Cid, Cuce e Carol, Fernando e Márcia, José Flávio e Lucia, Beto e Patrícia e, além deles, uma bonita mulher que eu não conhecia. Maldosamente imaginei se não estariam armando um encontro para que eu voltasse à condição de casado, como já o fizeram em outras ocasiões. Mas fui obrigado a reconhecer que desta vez eles tinham acertado em cheio, porque a mulher, Camila, era muito bonita e atraente. A primeira rodada, biriba de um lado e pôquer do outro, ocorreu tranquila, embora eu não conseguisse me concentrar como devia, porque não tirava os olhos da loira bonita. E perdi algumas jogadas fáceis que a sorte parecia me jogar no colo, mas o que eu queria no colo, era outra coisa. Algumas vezes percebi que ela também me olhava, e me animei. O tempo foi passando e os olhares se transformaram em sorrisos até que todos começaram a notar que uma paquera estava rolando, para alegria geral. Lá pelas tantas, quando as minhas fichas de pôquer já estavam escassas, justificando a premissa de que quem tem sorte no amor, perde no jogo, Renata, a dona da casa, sugeriu uma parada no pôquer para nos servir uma massa – por sinal, deliciosa – e um vinho que trouxera recentemente de Portugal. Sentamo-nos todos à mesa próxima da piscina e procurei ficar bem à frente de Camila, para apreciar a beleza daquela loira maravilhosa que fazia a noite ficar mais agradável. Conversamos todos, alegremente, saboreamos a massa e degustamos o vinho, tudo sob um belo luar e um fundo musical bem selecionado que deixava o ambiente bem romântico. A conversa animada deixou o jogo em segundo plano, aliás, eu já estava me lixando para ele, até que a noite terminou e eu fui levar Camila em sua casa. Eu não queria demonstrar todo meu entusiasmo pelo encontro, mas não pude evitar o convite para para jantarmos no dia seguinte. E no outro, e no outro, enfim, foram muitos almoços e jantares até que, tempos depois, a mesma Renata, esposa de Gustavo, convidou para um chá da tarde, desta vez “only for women”, incluindo algumas outras amigas. O convite era para que cada uma levasse uma utilidade para o lar porque o chá era de “panela” para que Camila anunciasse o nosso casamento no mesmo lugar onde tudo começou. Ao mesmo tempo rolaria lá em casa, de forma sossegada, uma nova mesa de pôquer onde eu perdi novamente no jogo, mas ganhei no amor.