PAGANDO A PAZ COM A PAZ

Knêsia a Lei da Hospitalidade

O artigo foi escrito por Luciene Félix, Professora de Filosofia e Mitologia Greco-Romana da ESDC , no ambiente mitologia@esdc.com.br e merece ser lido. Confesso que tentei fazer um resumo, mas o artigo completo, mesmo extenso, é muito interessante.

Ela conta que “Na Grécia Antiga havia um inviolável código de Paz enviado por Zeus, do Olimpo: a “Lei” da hospitalidade.” No polêmico mundo de hoje, ressoa-nos ainda o eco grego. Profundos conhecedores dos meandros que permeiam as delicadas teias que tecem a guerra e a paz entre os homens, temos em poetas exponenciais tais como Homero e Hesíodo o registro de como ela, a guerra, a maldita “Polemós” se origina. E o palco desses conflitos é o Lar. Na Grécia Antiga havia um inviolável código de Paz enviado por Zeus, do Olimpo: a “Lei” da hospitalidade. Ksenia: Nem mesmo os deuses poderiam infringi-la. Trata-se da obrigação de receber bem todo e qualquer estrangeiro, trata-se de prestar cuidados, auxilio, hospitalidade, derivando daí a palavra “hospital”. Qualquer pessoa, viajante, de passagem, bastava bater à porta: “toc-toc” da forma mais prosaica do mundo e seria recebido diretamente pelo dono da casa. Este, abstendo-se de qualquer inquérito prévio para que não configurasse interesse mercantil, imediatamente acionava uma serviçal, uma escrava que, com a bacia d’água, sabão e panos limpos, oferecia-lhes ao estrangeiro para higiene e conforto inicial. O visitante lavava o rosto, as mãos e era imediatamente conduzido a seus aposentos. Lá, encontrava acomodações e roupas limpas. Seu cavalo e o de seus parceiros, se houvessem, eram também tratados. O dono da casa instruía a todos sobre a cordialidade para com o hóspede e durante cerca de dois a três dias era um banquete só. Disponibilizava-se o que havia de melhor na casa: pães, azeites, frutas raras, vinhos, faisões e cordeiros. Ao fim desses dois ou três dias de festejos e fartura, finalmente o hóspede sentia-se compelido a, diante de seu anfitrião, sua mulher, filhos e demais parentes, falar sobre sua origem, seus pais, sua terra e principalmente, o propósito de sua visita. Este, podia ser uma simples viagem, algum interesse comercial, um comunicado importante, um chamado, um circunstancial e delicado momento de necessidade pecuniária… Não havendo relato e, portanto, ressonância de uma hospitalidade anterior, de qualquer modo, estava semeada a Paz. O anfitrião tinha como certo o digno recebimento de algum dos seus em terras estrangeiras. Nessas ocasiões, muitas vezes, ocorria a rememoração de que algum ancestral, parente, amigo ou conhecido do anfitrião havia recebido hospitalidade por parte dos pais, parentes ou amigos do visitante e, nesses instantes, a camaradagem era total. Celebrava-se e brindava-se ao “pagamento” da Paz com a Paz. O hóspede, agradecido, despedia-se e prosseguia em seu caminho. O anfitrião sentia-se enobrecido por ter semeado ou simplesmente selado a paz, perpetuando-a através de seu honroso gesto.
Nem sempre imperava a Paz nesse acordo tácito. Não eram raras as vezes em que o viajante se encantava com a esposa ou com uma das filhas de seu anfitrião. Conta-se até ter havido rainhas, que sentindo o ultraje de terem sido preteridas por algum hóspede por quem tenham se sentido atraídas, deturparam propositalmente as ações relatando ao marido as inexistentes investidas por parte do hóspede. Estava declarada a guerra: “Polemós”. Daí o termo polêmica. Ser acolhido, bem recebido, e retribuir toda distinção e apreço com uma aviltante traição era inadmissível! Violar uma regra sagrada era incitar a guerra! Narra Homero, na Ilíada, que Páris, irmão de Heitor, filhos de Príamo e Hécuba, Reis de Tróia, violou esta Lei. Ao sequestrar Helena, mulher de Menelau (mesmo tendo ido por sua livre e espontânea vontade) selou o trágico fim de uma dinastia. Todos os gregos se aliaram a Menelau, irmão de Agamennon, Rei de Esparta, para a guerra. Tróia foi destruída. Sucumbiu por ter incorrido no erro de ter acobertado o mais famoso adultério da história do mundo antigo. Tróia atraiu POLEMÓS!

E você, como tem recebido a quem bate à sua porta? Receba bem, muito bem quem quer que seja pois essa é a suprema Lei da Paz, Lei de Zeus (basta trocar o “Z” pelo “D”, se for Cristão!).

 

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