CORES E HUMORES

Do face do meu amigo Luiz Otavio Cavalcanti

Resultado de imagem para Um populismo de direita

(Foto de responsabilidade deste blog) Eleição é colheita. Colhe-se o que se plantou. Por exemplo: o PT ficou falando sozinho. Porque nunca estendeu a mão para outro Partido. Numa prática hegemônica. Não subscreveu a Constituição de 1988. Nunca discutiu uma frente de esquerda em que não fosse cabeça de chapa. Ciro claramente tinha chance de unir a esquerda. Mas Lula deu o não. Outro exemplo: o PSDB é um titanic adernado. Sem votos e dividido. Entre o ideário social democrata anêmico e a direita de Doria. Que doura enganosa pílula. Perguntem a Alckmin sobre lealdade. E, em política, palavra é o elo que sacramenta o compromisso.
Os tucanos passaram dezesseis anos no poder em São Paulo. Não apresentaram um só projeto modelo de política social. Em educação ou saúde. Nada. E submeteram o Partido de Covas a um engano vindo de Minas, perdido em noitadas cariocas. O que fica, então ? A globalização na política. O que varreu a política mundial nos últimos quatro anos: o populismo de direita. Foi assim na Holanda, na Hungria, na Turquia, na França e nos Estados Unidos. Na França, sob a forma de movimento social. Vestindo a esperança tricolor. Das ruas para o Elysée. Um projeto civil. Que está sendo testado. Um modelo de capitalismo social de mercado. Nos Estados Unidos, o populismo assumiu uma forma medonha. Sem medir limites. Com produção de fakes news. Estilo agressivo. Desdenhando a memória dos cânones de Washington e Jefferson. Mas atendendo a reclamos de desigualdade social renitente. E a nichos desindustrializados que não têm onde trabalhar. E, no Brasil ? No Brasil, o populismo de direita resultou do conservadorismo de esquerda. A esquerda quis ocultar a corrupção. E o eleitor deu a luz à direita. A política de ocultação da esquerda é tal que o verde amarelo substituiu o vermelho. A solidão petista é uma paisagem de três desertos. Esta eleição tem, até agora, três consequências: a democracia fortalecida; a redefinição de polos de poder; e a reconstrução dos Partidos. Primeira, a democracia sai mais forte da eleição. O voto é instrumento definitivo de consagração popular. Novas lideranças emergirão das urnas. E, como não há vazio em política, o espaço será rapidamente ocupado. É o declínio da era Lula. Segunda, a redefinição de polos de poder será natural. Como as águas dos rios que correm para o mar. O PSDB deixa de ser protagonista relevante. O PMDB torna-se ilha senatorial. O PT debate-se no dilema entre ser prisioneiro de Lula e assumir o discurso factual das coisas feitas. O centro será uma construção: edificante ou não edificante. Vai depender do equilíbrio das forças sociais. E esta é a beleza do regime democrático. Com as instituições funcionando. E operando a Lava Jato. Terceira, a reconstrução dos Partidos deve acentuar uma maioria de centro direita. Com o PSL acrescido de egressos das fileiras partidárias que não ultrapassaram a cláusula de desempenho. De qualquer modo, o quadro partidário será menos polarizado. Porque PSDB e PT saem mais fracos da eleição. E o cenário político torna-se mais transparente. Isto é bom para democracia brasileira. A claridade invadiu os nichos obscuros. Agora, é hora da luta social.

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