UM ERRO E TRÊS ACERTOS

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Meu amigo Luiz Otavio Cavalcanti escreveu este artigo, hoje, em seu face, novamente usando seu imenso conhecimento sobre política, sobre gestão pública e como executivo que passou por um jornal de expressão. O artigo é maravilhoso, e por isso, me permiti republicá-lo aqui, mesmo achando que ele foi benevolente com a Folha de São Paulo. No meu entender, a Folha e a TV Globo fizeram militância política ao invés de jornalismo durante as eleições, sendo parciais em seus comentários. Mas os três acertos apontados pelo Luiz Otavio são, realmente, muito oportunos. Vejam o que ele escreveu:

Começou. Quem pensa que um governo começa na data constitucional, está enganado. Governo começa antes. Na sua formação. E a formação do time do governo dá pistas sobre o futuro. Por exemplo. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, está compondo sua equipe sem consultar nem Partidos nem chefes políticos. Até a gestão Dilma Rousseff, o governo era praticamente refém das oligarquias congressuais. Só se convidava alguém, depois de conversar com Sarney, Lula ou Ciro Nogueira. E mais: o ministro indicado pelo Partido, recebia o ministério de porteira fechada. Ou seja, nomeava quem queria para os postos intermediários.
A paisagem mudou. O presidente Bolsonaro garantiu sua eleição sem apoio significativo de nenhum grande Partido. Sem grande investimento financeiro. Utilizando apenas dois recursos pessoais: o discurso peculiar de direita, defendendo o combate aberto contra a violência. E potente rede de comunicação nas mídias sociais, que alcança cerca de 14 milhões de seguidores. Quer dizer, livre de pressões para nomear quem quer que seja. Na prática, tem tudo para compor o ministério a seu gosto. Uma liberdade que lhe traz responsabilidade total pelo êxito ou fracasso da gestão. Até agora, setenta e duas horas após eleger-se, o presidente, a meu ver, cometeu um erro. E três acertos.
O erro foi a briga comprada com a Folha de São Paulo. Dizendo que não vai destinar verba publicitária para o jornal. Está errado. A imprensa é pilar da democracia. E imprensa não existe para elogiar governo. Existe para apontar os equívocos do administrador. Aliás, o melhor auxiliar de qualquer governo é a imprensa. Porque o governante fica sabendo das coisas. Para corrigir. Fui gestor público durante mais de vinte anos. E fui diretor superintendente do Diário de Pernambuco sete anos. Conheço os dois lados do campo. E posso assegurar que uma imprensa vigilante beneficia o regime democrático. Funciona como espécie de fiadora da liberdade. Os acertos do presidente eleito foram:
1) A abertura comercial que contribui para reduzir os imensos incentivos fiscais ao setor industrial. A indústria brasileira apresenta baixa produtividade porque vive à base de estímulos oficiais. Por isso, é pouco competitiva. O anúncio do novo ministro da Fazenda de que vai avaliar para diminuir os intermináveis incentivos à indústria premia os competentes. E preserva o Tesouro.
2) O convite ao juiz Sérgio Moro para exercer o cargo de ministro da Justiça. Ora, o grande temor que a maior parte da população tinha, em relação à Lava Jato, era sua fragilização. Porque mais de uma centena de parlamentares estão indiciados em processos da operação. E outros poderosos estão dependendo da autonomia que os responsáveis pela operação tenham ou não tenham para continuar impunes.
Deu-se o que só o presidente eleito sabia: convidar Moro para o governo. E, assim, fortalecer a Lava Jato.
3) A transferência do ensino superior para o ministério da Ciência e Tecnologia. O ministério da Educação deve focar o ensino básico. O nó da educação brasileira está no ensino fundamental e no médio. A baixa qualidade do aprendizado. A evasão escolar. O mais de 1 milhão e meio de jovens brasileiros, entre 15 e 21 anos, que não estudam nem trabalham. Este deve ser o foco do MEC. Preparando os alunos para o mercado de trabalho. Ensino superior é espaço vinculado à pesquisa e à ciência. E seu nicho institucional é o ministério a elas dedicado.

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